HOMENS, MULHERES E FILHOS ( 2014 / Comédia-Drama / EUA / 119’ ), de Jason Reitman - por Carmem Cortez.



Men, Women and Children, no original, com direção de Jason Reitman (o mesmo de Juno e Amor sem Escalas) e adaptado para as telas de livro homônimo traz uma leve semelhança com Beleza Americana, filme de 1999 dirigido por Sam Mendes, muito particularmente no que diz respeito às relações interpessoais e aos desdobramentos existencialistas que esse assunto faz vir à tona.

Essa iguaria da cinematografia americana serve bem ao publico teen que deve degustá-lo sem maiores restrições. Homens, Mulheres e Filhos é um produto um pouco mais bem acabado, mas só um pouco mesmo, que aqueles filmes das tardes na TV, reprisados exaustivamente, que alcançaram a qualificação de 'filmes-sessão-da-tarde'. Os ícones da cultura americana vão dando o tom, a saber:

Rede social representada aqui pelo Facebook; adolescentes suas dores e delícias de serem o que são, adicionado a colheradas de conflitos sobre suas existências; ambientado em, ao que parece neste tipo de filme, seu habitat natural a high school; os games de última geração os que se joga on-line com vários participantes conectados; a egolatria. Até a música corrobora com a narrativa visual pop. Mas quero sublinhar uma ou duas coisas neste filme...

Eis que temos um ator ícone de nossas deliciosas tardes descompromissadas: Adam Sandler. Um Adam Sandler sério pai de família, é verdade, até porque aqueles tempos de galã de comedias românticas ficaram lá trás, nas sessões da tarde. Nada muito diferente daqueles idos tempos, mas sim, mais sério.

Uma narração em off curiosamente falada com um forte sotaque britânico (não por acaso feita pela atriz e roteirista Emma Thompson), que me indago se tal escolha para a narrativa - esse sotaque - foi proposital - talvez pretendesse um tom sóbrio à historia. Um recurso que poderia ter sido explorado, utilizando-o de maneira equânime mas, ao invés disso, concentra-se apenas no primeiro terço do filme, 'esquece-se' de continuar pontuando o segundo terço, voltando no terceiro terço somente. Não que se faça tão necessário assim, mas uma vez ali colocado, objetivava identificar que a história se apoia a uma explicação científica. Explicação essa que parte de um conceito de um cientista muito cultuado nos anos 60 e 70. E é exatamente essa 'cientificidade' que faz a chave de ignição das historias 'startar' o filme.

Temos ainda um J.K.Simmons mal aproveitado numa ínfima participação; quem o viu em Wiplash-Em Busca da Perfeição, pode questionar a parte que lhe coube nesse latifúndio. Uma Jennifer Garner travestida de uma caricata mulher controladora, onde a rigidez do personagem está mais evidenciada no acessório (o cabelo cuidadosa e meticulosamente preso, os óculos...) que no principal.

Desde American Beauty a cultura americana ganhou brinquedinhos tecnológicos, novos canais de comunicação e/ou informação, tornando as relações afetivas, e por vezes as pessoas, ainda mais complicadas. E tem mais, senhores. A dolorosa experiência do 11 de setembro, entrando em uma rápida cena como se fosse um parênteses que não aprofunda; apenas faz uma menção a essa eterna ferida ainda aberta nas vidas dos cidadãos americanos.

Bem, de 1999 pra cá, as águas rolaram e foram muitas debaixo dessa ponte chamada cinema, mas entre um escorregão e outro, o filme pelo menos mantem a coerência: a de causar a sensação de que já estamos há quase duas horas vendo o desenrolar deste enredo. São 119 minutos. Um longo longa. Muita história pra contar, muitos fatos delineando a vida desses personagens, embora do final dos anos 90 até então, as relações continuem com seus dilemas e crises existenciais.

Entretanto, é nas telas dos smartphones, tablets e afins, que surgem como cartelas, e na trilha sonora, que Homens, Mulheres e Filhos ganha força!


Carmem Cortez